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Em MS, ministro defende fim da escala 6x1 e aponta ganhos para trabalhadores rurais

Luiz Marinho afirma que redução da jornada e ampliação das folgas podem melhorar a qualidade de vida e até aumentar a produtividade

📅 09/09/2026 05:31 | Fonte: Campo Grande News
Em MS, ministro defende fim da escala 6x1 e aponta ganhos para trabalhadores rurais
Ministro Luiz Marinho durante entrevista na Superintendência Regional do Trabalho, em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

O fim da escala 6x1 pode representar uma melhora nas condições de trabalho e na qualidade de vida dos trabalhadores rurais de Mato Grosso do Sul. A avaliação foi feita pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante compromissos realizados nesta terça-feira (8), em Campo Grande.

A primeira agenda do ministro ocorreu na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso do Sul (SRTE-MS), onde se reuniu com servidores, auditores fiscais do trabalho, o superintendente Alexandre Campero e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Durante o encontro, Marinho foi questionado sobre os possíveis impactos de uma mudança na jornada para quem atua no campo.

Segundo o ministro, a proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da garantia de duas folgas por semana. Ele ressaltou, porém, que as características de cada atividade precisam ser consideradas e discutidas entre trabalhadores e empregadores.

Marinho explicou que o fim da escala 6x1 não significa impedir o trabalho aos sábados ou domingos. Entre os modelos que poderiam ser adotados estão a escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, e a jornada 12x36, na qual o trabalhador atua por 12 horas e descansa pelas 36 horas seguintes.

Para o ministro, a organização das jornadas deve levar em conta as necessidades de cada setor e ser definida por meio de negociação coletiva. A avaliação é de que o aumento do período de descanso pode trazer benefícios à saúde dos trabalhadores e também refletir na produtividade das empresas.

Ministro cita impactos na saúde

Durante a agenda em Campo Grande, Luiz Marinho também mencionou o número de afastamentos relacionados ao estresse no ambiente de trabalho. Segundo ele, mais de 500 mil trabalhadores foram afastados por esse motivo em 2025, e a jornada 6x1 estaria entre os fatores associados ao problema.

O ministro citou ainda exemplos de empresas que adotaram a escala 5x2 e, segundo ele, conseguiram reduzir faltas e preencher vagas que permaneciam ociosas. Na avaliação de Marinho, a ampliação das folgas pode tornar determinadas vagas mais atrativas, principalmente para jovens e mulheres.

Sobre o argumento de que a redução da jornada poderia provocar prejuízos financeiros às empresas, Marinho afirmou que mudanças na legislação trabalhista já provocaram resistência no passado, mas não impediram a adaptação do setor produtivo. Ele comparou o atual debate às discussões envolvendo a criação do 13º salário, das férias e da licença-maternidade.

Proposta depende do Congresso

Marinho também demonstrou confiança na aprovação do fim da escala 6x1 pelo Congresso Nacional, mas destacou que a mobilização de trabalhadores, sindicatos e da sociedade será importante para pressionar pela votação da proposta.

Após a reunião na Superintendência Regional do Trabalho, o ministro participou da instalação da Mesa do Pacto pelo Trabalho Decente do Meio Rural de Mato Grosso do Sul, na Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

A discussão sobre a jornada de trabalho ganha atenção especial no Estado, que possui forte participação do setor agropecuário na economia e reúne milhares de trabalhadores em atividades rurais. A eventual mudança na escala deverá considerar as particularidades de cada segmento e dependerá da tramitação e aprovação das medidas no Congresso Nacional.

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