Canetas emagrecedoras ganham espaço e reduzem procura por cirurgia bariátrica
Medicamentos ampliam opções para o tratamento da obesidade, mas cirurgia continua indicada em casos graves
As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço no tratamento da obesidade e já começam a impactar a procura por cirurgias bariátricas no Brasil. Apesar do avanço dos medicamentos, especialistas afirmam que a cirurgia continua sendo uma alternativa importante para pacientes com obesidade grave ou que precisam de uma perda de peso mais rápida devido a doenças associadas.
A endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em Mato Grosso do Sul, Bianca Paraguassú, explica que a obesidade é uma doença crônica e exige acompanhamento de longo prazo. Segundo ela, os medicamentos à base de análogos de GLP-1 e tirzepatida podem contribuir não apenas para a perda de peso, mas também para o controle do colesterol, triglicerídeos e redução do risco cardiovascular.
A resposta, porém, varia de acordo com cada paciente. Há casos em que o resultado é insuficiente ou em que os efeitos colaterais dificultam a continuidade do tratamento. A médica também alerta que os benefícios estão relacionados ao uso de medicamentos certificados.
Queda nas cirurgias
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram redução no número de cirurgias bariátricas realizadas por planos de saúde. Foram 73,6 mil procedimentos em 2023, 71,3 mil em 2024 e 62,2 mil em 2025.
A expectativa é de que uma eventual incorporação das canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde (SUS) amplie as opções disponíveis para pacientes com obesidade e possa reduzir a procura pela cirurgia em determinados casos.
Para a especialista, o tratamento adequado também pode diminuir gastos com internações e doenças relacionadas à obesidade.
Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde foi consultada sobre o cenário das cirurgias bariátricas no Estado, mas não apresentou os dados solicitados até o fechamento da reportagem.