Exercício não anula danos do cigarro ou vape, alerta campanha nacional
Pesquisa aponta que 19% dos brasileiros entre 16 e 24 anos se consideram fumantes, índice acima da média nacional
Praticar exercícios regularmente faz bem à saúde, mas não elimina os prejuízos provocados pelo cigarro ou pelo vape. O alerta ganha destaque às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto.
Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus ouviu mais de 2 mil brasileiros e apontou que 19% dos jovens entre 16 e 24 anos se consideram fumantes, acima da média nacional, de 17%. Essa foi a faixa etária com maior incidência de consumo de cigarros convencionais ou eletrônicos.
Neste ano, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) escolheu a relação entre atividade física e tabagismo como tema da campanha: “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”.
Atividade física não compensa o tabagismo
Segundo o Inca, enquanto exercícios fortalecem os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, o tabagismo atua no sentido contrário. A nicotina pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, reduzir a resistência física, antecipar a fadiga e prejudicar a recuperação após os exercícios.
No cigarro convencional, o monóxido de carbono também reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio, enquanto a fumaça provoca inflamações e prejudica a função pulmonar.
Por isso, manter uma rotina de academia, corrida ou outro esporte não neutraliza os efeitos do tabaco.
Vape também oferece riscos
O alerta inclui os cigarros eletrônicos. Apesar da percepção entre alguns jovens de que o vape seria menos prejudicial, os produtos geralmente contêm nicotina, que pode causar dependência e afetar o sistema cardiovascular.
Os aerossóis inalados também podem prejudicar a função pulmonar, tornando o uso incompatível com a busca por melhor condicionamento físico.
A pesquisa ainda mostrou que 84% dos fumantes entrevistados mantêm até quatro hábitos considerados prejudiciais à saúde, como sedentarismo e consumo excessivo de frituras e alimentos ultraprocessados.
Exercício pode ajudar quem quer parar
Apesar de não compensar os danos do cigarro, a atividade física pode ser uma aliada para quem deseja abandonar o hábito. Caminhada, corrida, ciclismo, natação e dança podem ajudar a reduzir temporariamente a vontade de fumar e os sintomas da abstinência.
Quem pretende parar de fumar também pode procurar atendimento pelo SUS, que oferece tratamento gratuito para o tabagismo.