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Pesquisa da UFMS transforma casca de bocaiúva em cosmético sustentável

Resíduo que normalmente seria descartado ganha nova utilidade com extrato antioxidante e partículas esfoliantes naturais

📅 25/08/2026 05:43 | Fonte: g1MS
Pesquisa da UFMS transforma casca de bocaiúva em cosmético sustentável
Divulgação

Toneladas de casca de bocaiúva são descartadas após o processamento do fruto e, normalmente, acabam como resíduo agroindustrial. Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) encontraram uma nova possibilidade para esse material: transformá-lo em matéria-prima para um produto cosmético.

O projeto resultou no Acrodermo, uma formulação que reúne extrato antioxidante e partículas esfoliantes naturais obtidos da própria casca da bocaiúva. A proposta busca reduzir o desperdício, agregar valor ao fruto e criar novas oportunidades para a cadeia produtiva regional.

Segundo a professora Maria Lígia, a ideia surgiu a partir da necessidade de aproveitar melhor todas as partes do fruto. Durante anos, a polpa e a amêndoa receberam maior atenção, principalmente pela utilização na alimentação e na produção de óleos, enquanto a casca era tratada como resíduo.

“A proposta passou a ser aproveitar praticamente toda a matéria-prima, transformando o que seria lixo em um ativo cosmético de maior valor agregado.”

Da casca ao cosmético

Os estudos foram realizados no Laboratório da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição (Facfan) da UFMS, com participação de pesquisadores de diferentes áreas.

A equipe descobriu que a mesma casca pode desempenhar duas funções na formulação. Dela é extraído um composto com atividade antioxidante e, posteriormente, o material sólido restante pode ser processado para produzir partículas naturais com função esfoliante.

Testes realizados em laboratório indicaram atividade antioxidante e potencial anti-inflamatório do extrato, além de segurança nas concentrações avaliadas em modelos celulares.

Para o biólogo Antolim Penha Martinez Junior, o aproveitamento também valoriza uma espécie importante para o Cerrado e o Pantanal.

“Trabalhar com ela é, ao mesmo tempo, valorizar a biodiversidade regional e mostrar que espécie nativa não é sinônimo de matéria-prima limitada.”

Economia circular

O projeto aposta ainda no conceito de economia circular, utilizando praticamente toda a matéria-prima e reduzindo a quantidade de resíduos gerados após o processamento da bocaiúva.

Além de diminuir o descarte, a iniciativa pode criar novas oportunidades de renda para produtores, extrativistas e cooperativas que trabalham com o fruto.

“A casca passa a ter valor tecnológico”, explica Maria Lígia, destacando que o aproveitamento pode abrir uma nova frente de fornecimento e beneficiamento para a cadeia produtiva.

Próximos passos

O Acrodermo ainda está em fase de validação laboratorial e desenvolvimento dos protótipos. Os pesquisadores trabalham no aprimoramento da formulação e em novos estudos de estabilidade, segurança, eficácia e características do produto.

A próxima etapa será preparar a tecnologia para uma possível produção em maior escala, com padronização da matéria-prima, estimativa de custos e adequação às exigências regulatórias.

A pesquisa mostra como um material considerado resíduo pode ganhar uma nova função e transformar a biodiversidade regional em oportunidade de inovação, sustentabilidade e geração de valor.

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