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Fronteira de MS expõe avanço das facções e fica fora do debate presidencial

Atuação do PCC e do Comando Vermelho, tráfico de drogas e falta de integração entre forças de segurança estão entre os desafios apontados por especialista

📅 22/10/2026 05:52 | Fonte: Campo Grande News
Fronteira de MS expõe avanço das facções e fica fora do debate presidencial
Reprodução

A posição estratégica de Mato Grosso do Sul, na fronteira com Paraguai e Bolívia, coloca o Estado no centro dos desafios brasileiros de combate ao tráfico de drogas e ao avanço das organizações criminosas. Apesar da relevância do tema, a segurança nas regiões fronteiriças recebeu pouca atenção nos debates presidenciais de 2026.

O cenário envolve a atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de rotas utilizadas para transportar drogas destinadas ao mercado brasileiro e ao exterior. A estrutura logística da região representa um desafio para as forças de segurança, que precisam combater redes criminosas com atuação interestadual e internacional.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 apontam que Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, 148,1 ocorrências de tráfico de drogas por 100 mil habitantes, a terceira maior taxa do País. A média nacional foi de 97 registros por 100 mil habitantes.

Para o coronel da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Alírio Villasanti, o enfrentamento exige mais integração entre as instituições, investimentos em inteligência e fortalecimento da presença do Estado nas regiões de fronteira.

Entre as medidas defendidas pelo especialista estão o reforço das forças policiais, a ampliação da cooperação com Paraguai e Bolívia e a integração entre Polícia Federal, Ministério Público, Justiça e demais órgãos envolvidos no combate ao crime organizado.

Outro desafio é a expansão da criminalidade para municípios do interior. Segundo Villasanti, cidades menores enfrentam dificuldades para responder à atuação das organizações criminosas devido à limitação de efetivo e de recursos para investigação e inteligência.

O coronel também questiona a efetividade do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), projeto do Exército criado para ampliar a vigilância e a capacidade de resposta na faixa de fronteira terrestre.

Para o especialista, o combate às facções não deve se limitar ao aumento de penas ou ao policiamento ostensivo. A estratégia precisa incluir investigação, rastreamento financeiro, controle do sistema prisional e cooperação entre instituições brasileiras e países vizinhos.

O cenário de Mato Grosso do Sul evidencia um desafio que ultrapassa os limites estaduais: fortalecer a segurança nas fronteiras e impedir que as redes do tráfico ampliem sua influência sobre outras regiões do País.

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