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Falta de atenção pode ser sinal de TDAH, mas diagnóstico exige avaliação profissional

Estimativa nacional aponta sintomas do transtorno em 7,6% das crianças e adolescentes de 6 a 17 anos; especialista alerta para riscos de autodiagnóstico

📅 22/10/2026 05:50 | Fonte: Campo Grande News
Falta de atenção pode ser sinal de TDAH, mas diagnóstico exige avaliação profissional
Reprodução

A dificuldade para manter a atenção tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde mental, especialmente com a popularização de conteúdos nas redes sociais que associam comportamentos cotidianos ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Embora a desatenção esteja entre as principais características do transtorno, ela também pode estar relacionada a outras condições e não deve ser considerada, isoladamente, um indicativo de diagnóstico.

Dados citados pelo Ministério da Saúde estimam que 7,6% das crianças e adolescentes brasileiros entre 6 e 17 anos apresentam sintomas de TDAH. Entre adultos de 18 a 44 anos, a estimativa é de 5,2%. Os números reforçam a importância de ampliar o acesso à informação e ao acompanhamento adequado, sem confundir a presença de sintomas com a confirmação do transtorno.

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade. As manifestações variam de pessoa para pessoa e podem afetar o desempenho escolar, profissional e as relações sociais.

No entanto, dificuldades de concentração também podem ocorrer em situações de estresse, ansiedade, depressão e privação de sono. Por isso, identificar-se com descrições encontradas na internet ou obter um resultado positivo em testes on-line não é suficiente para determinar a existência do transtorno.

Em orientação divulgada durante o Outubro Laranja, campanha de conscientização sobre o TDAH, o psiquiatra Kleber Vargas, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), alerta para os riscos de conclusões precipitadas.

Segundo o especialista, o diagnóstico depende de avaliação clínica e da análise do histórico do paciente. O transtorno começa na infância, ainda que possa ser reconhecido somente na vida adulta. Por isso, a investigação considera quando os sintomas surgiram, em quais ambientes se manifestam e quais prejuízos provocam na rotina.

Diagnóstico e tratamento

A avaliação deve ser realizada por profissional habilitado, como psiquiatra ou neurologista com experiência no transtorno. Exames e avaliações complementares podem auxiliar a investigação, mas não substituem a análise clínica.

Quando o TDAH é confirmado, o tratamento é definido individualmente e pode incluir psicoterapia, estratégias para organização da rotina e medicamentos, quando indicados.

Pessoas que enfrentam dificuldades persistentes de atenção e que percebem prejuízos nas atividades diárias podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e orientação sobre os próximos passos.

A recomendação dos especialistas é buscar informação em fontes confiáveis e evitar o autodiagnóstico. A falta de atenção pode ter diferentes causas, e compreender sua origem é fundamental para que cada pessoa receba o acompanhamento adequado.

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